Era uma madrugada típica de inverno. Duas e meia da manhã e meus calcanhares gelados.
Tão gelado que ao pisarem no chão a dor parecia cortar os tendões.
O silêncio prevaleceria não fossem os uivos intermitentes que soavam seco de tempos em tempos.
Olho por entre as cortinas e vejo a elipse branca com um tom azulado que a envolvia.
Neste momento os uivos ficaram mais fortes. Intervalos menores.
Intervalos no mesmo ritmo que meu coração. Meu coração palpitava acompanhado pelos arrepios.
Escutava sons de arranhões na porta dos fundos juntamente com rosnados que mais
pareciam palavras em latim. O frio aumentava. Eu, paralisado. Uivos e arranhões agora estão
intensos e ainda mais fortes. Consegui mexer meus braços, e levantei.
A passos lentos e cautelosos, atravessei a sala em direção a porta dos fundos. Tudo que conseguia ver
era uma sombra por debaixo da porta. "Que diabo me aguarda atrás da porta?" Por mais que não quisesse acreditar, não era uma pessoa.
A porta começou a receber violentos trancos de arrombamento. Peguei minha peixeira com a mão direita
e com a esquerda virei a chave. Abro a maçaneta cautelosamente. Uma respirada para oxigenar o meu corpo. Em uma fração de segundo imagino como matar. Cinco ou seis opções de ataque àquela besta. A porta vai se abrindo lentamente. Atônito a faca escorre pela minha mão.
Olhei nos olhos daquele animal. Apenas meu cachorro.
"História do amigo Carlos Henrique Filho"
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