quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Velvet

Ele me disse o seu nome, e era Bob. Eu já sabia. Eu te amo, Bob. Desde que eu apareci sob as luzes que você me olha com esses olhos tortos. E eu fiz o meu show só pra você, meu amor. Bob, seu eterno fracassado. Como você veio parar em um lugar como esse? E olha só você, de gravata tentando me enganar com esse copo cheio de uísque, não vê que o gelo já derreteu? Eu sussurrei o meu nome mas você não escutou. Uma pena, pois me reconheceria. Você me chamou, Bob, eu ouvi de longe. Por que você não pede mais uma dose, meu amor? Bob acendeu um cigarro e me contou da saudade que tinha da família, mas disse que os negócios iam muito bem. Depois ele chorou. Pobre Bob, toma meu ombro. Toma mais uma dose. "Vamos para a minha casa?", ele pediu. Claro, meu bem, me leva até para o nono círculo do inferno que eu vou com você. E ele tirou o meu vestido de veludo e beijou a minha carne com delicadeza. Eu te amo tanto que você não pode mais viver, porque eu preciso de você, Bob. E eu cravei as minhas garras nos seus olhos mal feitos. Minhas asas finalmente se abriram e os seus lençóis arderam em fogo e sangue. Eu beijei os seus olhos perfurados. Você me fez viver novamente, Bob. Eu te amo. Tirei os meus sapatos de solas vermelhas e caminhei pela casa na ponta dos pés. Virei todos os crucifixos de cabeça para baixo e saí pela porta.
Boa noite, meu amor, você me chamou e aqui eu estou. Eu sou a Estrela da Manhã.

Um comentário:

Ana. disse...

O Diabo Veste Louboutin, é isso?

Hahahah mandou bem no texto, Gabi!