A fumaça escorre pelas frestas da veneziana. Um sopro de morte pálido e gélido vaporiza o ambiente antigo. Uma mesinha de madeira ao lado da cama. Um quarto. Vazio como uma casca de cigarra. Um som amadeirado estala pela porta a frente. Apenas os móveis se ajeitando para uma melhor posição. O acesso à esquerda revela uma nova perspectiva. Um gigantesco cômodo rosa. Salpicados como dentes de leão em meio à ervas daninhas estão a penteadeira e, um chuveiro?Aquela fumaça torna-se mais intensa. Uma janela redonda sem entrada de ar ao fundo. O chuveiro goteja escuridão para o ralo. Sinto que estou mais fraco. O líquido tem cheiro de órgãos frescos. Com dificuldade me aproximo do chuveiro cada vez mais. Minha pele está transparente. Aquela ducha escorre mais e mais. Quando estou muito próximo daquele ralo de horrores, uma grande quantidade despenca do chuveiro. Não possuo mais forças. Um som metálico estala no chão. Levanto os olhos e enfio o braço naquele putrefação. A chave da casa?
Um comentário:
cômodo rosa? acho que sei de onde vem essa referência
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